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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Reflexão: Na companhia da solidão

solidao

“Quem encontra prazer na solidão, ou é fera selvagem, ou é Deus”, disse Aristóteles. Vinicius também disse que até o amor que não compensa é melhor que a solidão. E Tom Jobim concorda – “É impossível ser feliz sozinho”.

Com o passar do tempo, mais me convenço que isso é verdade. Não falo sobre o que chamam de solidão agradável, de ficar só em casa quando os pais viajam, mas sim da solidão de Josh Billings: “um lugar bom de visitar uma vez ou outra, mas ruim de adotar como morada”. Essa solidão não nos vem como escolha, é um presente que não se pode recusar.

E é na solidão que surge o desleixo. Que passa a maior parte do tempo sozinho come mal, se exercita menos e até toma menos banho. A solidão provoca menos risadas, diminui os passeios e traz tenebrosos pensamentos. Sozinhos, dormimos mais e perdemos o apego às coisas. Até quem tira a própria vida, estava sozinho.

Essa redução de companhia é, muitas vezes, puramente cronológica. As crianças tem festas de aniversários com gente que mal conhecem, basta ser criança também. Os adolescentes tem um milhão de colegas, conversam um dia com a pessoa e já ganharam um “grande amigo”. Quem trabalha perde contato, mas cria família. Filhos saem de casa, e a velhice chega só.

Não é preciso ter lido todas as frases de pensadores sobre esse tema, para termos medo. Nem é necessário ter se sentido sozinho para desejar ser sempre rodeados de amigos, família e amores. Mas é preciso muita coragem para que apenas a memória seja uma companhia. E para que a companhia seja agradável, uma saída pode ser acumular muitas boas lembranças.

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